18 OUT 2018

Sínodo: salvaguardar a Criação, "casa comum" das futuras gerações

O sonho de muitos jovens é de uma Igreja Igreja profética no campo da ecologia e da economia: o grito da terra e o grito dos pobres não podem ser ignorados. O "Escolher", tema da terceira parte do Instrumentum Laboris, foi o fio-condutor, na tarde desta quarta-feira (17/10), da décima quinta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, em andamento no Vaticano.

Cidade do Vaticano

A Igreja seja arauto no campo da ecologia, porque é preciso fazer mais para deixar uma “casa comum” intacta às jovens gerações:  essa foi a reflexão inicial na Sala do Sínodo, no Vaticano, na tarde de quarta-feira (17/10), na décima quinta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens.

O sonho de muitos jovens é de uma Igreja profética no campo da ecologia e da economia: o grito da terra e o grito dos pobres não podem ser ignorados, acrescentou um auditor.

Efetivamente, a falta de respeito ao ambiente gera novas pobrezas; daí, o apelo a modificar os sistemas econômicos mediante uma verificação atenta dos consumos, dos investimentos e das prestações de contas. Porque aquilo que as comunidades cristãs, os institutos de vida consagrada, as associações e os movimentos eclesiais administram não são de sua propriedade, mas estão a serviço dos pobres, afirmou-se na Sala do Sínodo.

Ademais, os padres sinodais recordam que a exploração das terras por parte de multinacionais tem consequências catastróficas nos ecossistemas locais, obrigando as populações do lugar a migrar.

Trabalho conceda espaço à criatividade dos jovens

A análise sobre o tema do trabalho foi também central na Congregação Geral em questão: hoje ele é considerado principalmente um fonte de renda. Mas tal abordagem puramente econômica cai no reducionismo, porque priva o trabalho da sua dimensão humana e mina sua criatividade.

Os jovens, ao invés, sonham um serviço que corresponda a suas aptidões, porque somente assim se sentirão realizados. Daí, o chamado do Sínodo à importância dos ensinamentos da Doutrina social da Igreja.

Ajudar os jovens a frequentar a Bíblia

Depois foi dado espaço ao tema do protagonismo juvenil e às suas dificuldades, entre as quais o clericalismo. Os bispos reconhecem algumas faltas do clero, mas, ao mesmo tempo, encorajam os leigos a serem mais proativos na vida eclesial.

É preciso buscar o verdadeiro protagonismo, ou seja, não aquele protagonismo que se inspira na própria pessoa, mas em Cristo e nos Santos, afirmam o padres sinodais. Com efeito, a vocação à santidade é universal: ela dá sentido à ação da Igreja e da vida cristã, representando sua face mais bonita. De resto, atualmente há 160 jovens entre os Santos, amigos apaixonados por Jesus Crucificado. Igual número de jovens encontra-se com o processo de canonização em curso.

“Ajudemos os jovens a frequentar a Bíblia”, reiteram ainda os bispos, porque ela custodia as respostas às muitas perguntas deles. Nesse sentido, a Pastoral da Juventude deverá ter dois objetivos claros: o encontro da juventude com Cristo e a escuta dos jovens, a fim de que se sintam “interligados” na vida eclesial.

Em causa a credibilidade da Igreja

Os jovens esperam da Igreja credibilidade, ou seja, concordância entre a ação e a doutrina, porque não adianta pedir perdão, se depois não se seguem gestos e atitudes concretas. E para ser críveis é preciso enfrentar questões cruciais como a dos abusos, a fim de que as culpas sejam assumidas e as estruturas sejam renovadas.

Opções pelos jovens e com os jovens

Em seguida foi dado espaço ao tema do mundo digital: os bispos sugerem, por exemplo, que as jovens gerações participem da redação sobre padrões éticos para as páginas web católicas, e que se reflita sobre as possibilidades que as redes sociais oferecem no campo do diálogo inter-religioso.

É preciso audácia por parte da Igreja também para desafiar o mundo sobre temas críticos como o tráfico de armas, para falar aos líderes internacionais com clareza, a fim de que não coloquem mais em risco o futuro dos jovens, continuam os bispos.

Deve-se portanto dar sempre apoio aos jovens – sugere o Sínodo –, inclusive economicamente, buscando passar da “opção pelos jovens” para a “opção com os jovens”, porque isso significa envolvê-los plenamente na vida eclesial e ter a consciência de que eles não representam um problema, mas são parte da solução.

É preciso humildade: os jovens devem ser respeitados, ouvidos, acompanhados ao longo do caminho, sem “domesticá-los” ou apagar a paixão que os caracteriza, afirmam os bispos.

Renovar a catequese e relançar as escolas católicas

O Sínodo reflete ainda sobre a catequese e sobre a necessidade de renová-la, sobretudo diante da proliferação das seitas, em particular em alguns países africanos. Daí, a sugestão a relançar a evangelização de modo concreto, envolvendo os jovens diretamente e utilizando uma linguagem adequada que saiba aprofundar a fé.

A reflexão sobre os jovens que vivem nas “periferias da sociedade”, verdadeiros territórios de missão em que a Igreja pode e deve levar evangelização e formação, é também central.

Efetivamente, a educação não deve ser um privilégio, mas um direito. Por isso, o Sínodo evoca a importância das escolas católicas, lugar de encontros profundos e formativos: as escolas e as universidades católicas não ensinam, mas fazem experimentar a caridade, o serviço, a justiça, tornando-se desse modo verdadeiras experiências de vida e de fé.

Ademais, a Sala do Sínodo não esqueceu o drama dos jovens dependentes das drogas: a Igreja é a única instituição que pode pronunciar uma palavra profética nesse âmbito, reiterando a necessidade de lutar contra uma “cultura da morte” galopante, afirmam os padres sinodais.

Jornadas da juventude, momento de encontro e diálogo

O olhar do Sínodo volta-se também para as Jornadas da juventude, momento de encontro, mas também de diálogo inter-religioso entre jovens por vezes de diferentes credos. Tais Jornadas são o exemplo de uma Igreja em saída e representam o espaço propício para renovar-se e sonhar, porque não é sonhar que ajuda a viver, mas é viver que deve ajudar a sonhar, afirma também um auditor.

Nas intervenções dos auditores voltou mais uma vez o tema da necessidade de valorizar mais a mulher no seio da vida eclesial, assim como de um Igreja “generativa” que se faz com os jovens – corresponsáveis, envolvidos e não convocados – evangelizadores de seus coetâneos.

Em suma, uma Igreja plural, que aposte contra todo tipo de personalismo, todo tipo de obstáculo ao diálogo.

Constituída Comissão para redigir Carta do Sínodo aos jovens

Por fim, como auspiciado por vários participantes do Sínodo, foi constituída uma Comissão para redigir uma Carta da Assembleia aos jovens do mundo inteiro. A Comissão é constituída de cinco padres sinodais (o arcebispo de Bangui, na República Centro-Africana, cardeal Dieudonné Nzapalainga; o bispo auxiliar de Lyon, na França, Dom Emmanuel Gobbillard; o arcebispo de Sydney, na Austrália, Dom Anthony Colin Fisher; o bispo de San Justo, na Argentina, Dom Eduardo Horacio García); dois jovens auditores (Briana Regina Santiago, das Apóstolas da Vida Interior nos EUA, e Anastasia Indrawan, membro da Comissão para os jovens da Conferência Episcopal Indonésia); um especialista (o responsável pelo Serviço nacional para a Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Italiana, Pe. Michele Falabretti) e o convidado especial, prior da Comunidade ecumênica de Taizé, Irmão Alois. Assim que estiver pronto, o esboço da Carta será apresentado na Sala do Sínodo.


18 outubro 2018, 13:40


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