21 DEZ 2017

Padre Valdir Silveira recebe prêmio Alceu Amoroso Lima de Direitos Humanos

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Marco Lucchesi entrega o prêmio ao Padre Valdir João Silveira Foto: Raul Moreira

“O momento é de resistência, espaço de luta e o contexto geral um certo pessimismo, porém nós temos de ter perseverança sempre para levar adiante o legado deixado pelo Alceu. Não devemos desistir da luta mesmo em um momento complicado.”. Foi com essas palavras que a Diretora do Centro Alceu Amoroso Lima, Maria Helena Arrochellas, iniciou a noite de premiações do Prêmio Alceu Amoroso Lima. O evento, realizado no dia 12 de dezembro no Salão Marquês de Paraná da Universidade Candido Mendes, contou com a presença de nomes como o Reitor da UCAM e presidente do CAAL, Candido Mendes; a Diretora do CAAL, Maria Helena Arrochellas; o Dr. Alceu Amoroso Lima Filho; o Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária da CNBB, Padre Valdir João Silveira; o Presidente da Academia Brasileira de Letras,  Marco Lucchesi; a Irmã Rosita Milesi; o Padre José Oscar Beozzo; a Dra. Matilde Cecchin; o Dr. Leon Garcia; o Padre Mário Geremia e o Dr. Luiz Alberto de Souza.
Iniciada a cerimônia, o Professor Marco Lucchesi pronunciou-se para entregar o prêmio ao Padre Valdir João Silveira.
– Temos aqui o Candido como ícone da redemocratização no país, onde vemos que no momento falta a determinação ao diálogo. Eu pude estar com o Pe. Valdir em algumas penitenciárias e cheguei à conclusão que as prisões são as senzalas do Século XX e XXI, onde matam inúmeros talentos e sonhos que estão ali presentes. Muitos presos que, por conta da demora do nosso sistema Judiciário, nem deveriam estar ali. Ou que já cumpriram a sua pena ou que são inocentes mas ainda não foram julgados. Isso é bárbarie de se ver. O trabalho do Pe. Valdir é extremamente importante, pois eu vi o quanto tem gente ali que precisa de atitudes assim. – disse o Presidente da ABL.

Em seguida o Padre Valdir João Silveira, que pertence ao clero da Arquidiocese de São Paulo, recebeu o Prêmio Alceu Amoroso Lima e fez um discurso de agradecimento.
– Nós vivemos um ano que iniciou com os massacres em diversos presídios, então foi um trabalho difícil. Principalmente porque enfrentamos rejeição da sociedade, do setor de comunicação e até da comunidade religiosa. Nos tratam não só como defensores, mas as vezes também como marginais. Realizo esse trabalho com prazer, pois tenho certeza que presídios não resolvem o problema. Pelo contrário: quem está lá acaba reproduzindo mais violência quando sai, pois vivem em uma espécie de masmorra, em péssimas condições e são torturados. Quem concorda com o sistema carcerário é porque não conhece a realidade de uma prisão. A população e a Justiça têm um grande problema estrutural: eles culpam quem matou, quem morreu, mas ignoram quem construiu essa situação barbarie, de calamidade. – frisou o representante da Comissão Mundial de Pastoral Penitenciária Católica na América Latina.

Após o recebimento do prêmio, foram dadas Menções Honrosas ao Padre Paolo Parise e à Irmã Rosita Milesi – pertencentes aos missionários Scalabrinianos, que atuam em favor dos imigrantes e refugiados desde os anos 30 do século passado -, além da homenagem post morten ao Irmão Antônio Cecchin –  Militante dos movimentos sociais é fundador da Comissão Pastoral da Terra – RS, Pastoral da Ecologia e da ONG Caminho das Águas – e ao Professor Marco Aurélio Garcia.
A Irmã Rosita Milesi falou sobre a importância do bom tratamento aos migrantes por todo o mundo, cujo assunto ela trabalha em conjunto com o Padre Paolo Parise e que também foi abordado pelo Dr. Leon Garcia, filho do Professor Marco Aurélio Garcia, que vivenciou isso de perto quando o pai foi um exilado político na época da Ditadura Militar no Brasil e no Uruguai.

Com informações da Pastoral Carcerária e Universidade Candido Mendes
 

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