27 MAR 2018

PÁSCOA: A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NOS CONCEDEU A VIDA ETERNA

Estimados irmãos e irmãs, louvado seja Deus por nos conceder a graça e a alegria de celebrarmos, mais uma vez, a festa da Páscoa do Senhor Jesus Cristo! Sua ressurreição, vitória sobre a morte, é sinal e certeza de que o amor e a misericórdia de Deus nos alcançaram e nos resgataram do pecado e da morte.

Segundo a Carta Circular Paschalis Sollemnitatis, sobre a preparação e celebração das festas pascais, “assim como a semana tem o seu início e o seu ponto culminante na celebração do domingo, marcado pela característica pascal, assim também o ápice de todo o ano litúrgico resplandece na celebração do sagrado tríduo pascal da paixão e ressurreição do Senhor, preparada na Quaresma e estendida com júbilo por todo o ciclo dos cinquenta dias sucessivos” (PS 3). Dessa forma, para nós, cristãos católicos, a Semana Santa, com a celebração do sagrado Tríduo Pascal, é o ápice de toda a vida litúrgica da Igreja e da vida do cristão. É o mergulhar na paixão, morte e ressurreição de Cristo e, com Ele, celebrar a vida.

A experiência das celebrações das festas da Páscoa permite-nos encontrar a face misericordiosa de Deus Pai que, através da vida de seu Filho Jesus Cristo e na comunhão do Espírito Santo, fez-nos entrar, uma vez por todas, no mistério de sua divindade, tornando-nos partícipes de seu Reino. Recordando as palavras do apóstolo Paulo aos Efésios: “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo” (Ef 2,4-6 – 2ª Leitura do 4º Domingo da Quaresma, Ano B).

Semana Santa: os mistérios da salvação

“Na Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da salvação, levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pelo seu ingresso messiânico em Jerusalém” (PS 27).

Com a celebração do Domingo de Ramos, inicia-se a Semana Santa, na qual a Igreja, ainda vivenciado o Tempo da Quaresma, passa a anunciar os últimos momentos da vida terrena de Jesus e o cumprimento da missão que o Pai lhe concedeu. Caminhamos com Jesus e com Ele vamos, pouco a pouco, sendo introduzidos no maior de todos os mistérios da nossa fé: a Ressurreição.

Tríduo Pascal: o ápice da fé cristã

O Sagrado Tríduo Pascal inicia-se com a celebração da Missa da Ceia do Senhor e se encerra no Domingo de Páscoa. “Este espaço de tempo é justamente chamado o “tríduo do crucificado, do sepultado e do ressuscitado” e também tríduo pascal, porque, com a sua celebração, se torna presente e se cumpre o mistério da Páscoa, isto é, a passagem do Senhor deste mundo ao Pai. Com a celebração deste mistério, a Igreja, por meio dos sinais litúrgicos e sacramentais, associa-se em íntima comunhão com Cristo seu Esposo” (PS 38).

Na Quinta-feira Santa celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, início do sagrado Tríduo Pascal. Nessa celebração, a Igreja faz memória da Última Ceia do Senhor junto a seus discípulos antes de sua entrega para a condenação à morte. Cristo, ao repartir o pão e o vinho com seus discípulos, deixa para a Igreja seu Corpo e seu Sangue, memorial de seu amor por nós (1Cor 11,23-26), alimento de vida eterna (Jo 6,51) e esperança de ressurreição para aqueles que O recebem (Jo 6,54). Durante a celebração, realiza-se o lava-pés, gesto pelo qual Cristo se revela como aquele que veio “não para ser servido, mas para servir” (Mt 20,8), convidando a todos que O recebem na Eucaristia, a fazer o que Ele ensinou: “Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15). Ao término, faz-se o translado do Santíssimo Sacramento até o lugar onde se realiza a vigília eucarística, na qual as orações conduzem os fiéis a viverem a mesma experiência que Jesus propôs a seus discípulos: “Ficai aqui e vigiai. [...] Vigiai e orai, para não cairdes em tentação!” (Mc 14,34.38).

Na Sexta-feira Santa, dia da Paixão do Senhor, “dia, em que ‘Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado’, a Igreja, com a meditação da paixão do seu Senhor e Esposo, e adorando a cruz, comemora o seu nascimento do lado de Cristo que repousa na cruz e intercede pela salvação do mundo todo” (PS 58). Nesse dia, somos todos convidados ao jejum e à abstinência, abrindo todo o nosso coração e nosso ser, associando-nos ao Senhor, partilhando com Ele de seu sofrimento, e preparando-nos, ao mesmo tempo, para a experiência da ressurreição.

No Sábado Santo, a Igreja guarda o silêncio até a celebração da Vigília Pascal, “permanecendo junto do sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, a sua descida aos infernos, e esperando na oração e no jejum a sua ressurreição” (PS 73). De igual modo, “segundo uma antiquíssima tradição, esta noite é ‘em honra do Senhor’, e a vigília que nela se celebra, comemorando a noite santa em que o Senhor ressuscitou, deve ser considerada como ‘mãe de todas as santas vigílias’. Nesta vigília, de fato, a Igreja permanece à espera da ressurreição do Senhor e celebra-a com os sacramentos da iniciação cristã” (PS 77), pois, “por meio do Batismo e da Confirmação, fomos inseridos no mistério pascal de Cristo: mortos, sepultados e ressuscitados com Ele, com Ele também havemos de reinar. Esta vigília é também espera da segunda vinda do Senhor” (PS 80).

No Dia da Páscoa, Domingo do Senhor, celebra-se, com toda solenidade, a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, sendo esta celebração a solenidade das solenidades (PS 80). A ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Aqui está, pois, a riqueza e o fundamento de toda a Igreja. Nesse dia, a Igreja anuncia: Cristo ressuscitou; Ele vive para além da morte; é o Senhor dos vivos e dos mortos. Tamanha é a importância desse dia, que a Igreja o prolonga através da Oitava da Páscoa, na qual, durante os oito dias subsequentes, a Igreja celebra a Páscoa como sendo um só e mesmo dia.

Tempo Pascal: a alegria da Ressurreição

O Tempo Pascal prolonga-se pelo período de cinquenta dias. Nesse tempo, a Igreja convida todos os fiéis a vivenciarem, com o Cristo ressuscitado, o amor misericordioso de Deus que veio, através de seu Filho, para no salvar. Esse tempo litúrgico traz consigo, ainda, as celebrações das Festas da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, nas quais se recorda a subida triunfante de Cristo Jesus aos céus e de sua comunhão com o Pai, e também o envio do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos e a Igreja, como força que os ilumina a fim de perpetuarem, no mundo, a missão salvífica de Cristo.

Vamos celebrar a Páscoa de Cristo que é a nossa Páscoa

Estimados irmãos e irmãs, aprofundando o nosso conhecimento sobre as celebrações que fundamentam significativamente a nossa fé, devemos buscar agora participar de todo esse grandioso mistério, acolhendo as palavras do Apóstolo Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3,1-2 – 2ª Leitura do Domingo da Páscoa).

Esforcemo-nos, pois, por deixar de lado as coisas e as preocupações do dia a dia, permitindo-nos participar ativa e conscientemente da Semana Santa, do Sagrado Tríduo Pascal e do Tempo Pascal, no qual se fundamenta toda a nossa fé. Cristo morreu e ressuscitou para nos dar a vida. Vamos, então, juntos – como família, como comunidade reunida em nome do Senhor – celebrar a vida que Ele, com sua morte e ressurreição, nos mereceu.


Pe. Neri Dione Squisati – Pároco

Compartilhe esta publicação
Nossas redes sociais
Top