29 DEZ 2017

Simpatias, superstições e promessas: uma leitura sob a ótica cristã

Queridos irmãos e irmãs. Estamos iniciando um novo ano. Com isso, é tempo de firmar propósitos, renovar outros e assim buscar crescer na fé e na vivência do amor de Deus. Ao mesmo tempo, o começo de um novo ano, é o momento propício para abandonar aquilo que muitas vezes não serve para o exercício de uma fé sadia, de acordo com o que é a vontade de Deus. Quantos abandonam a fé para se apegarem a simpatias, superstições e promessas? O que significa isso? Assim afirmou o Papa Francisco: “Quando não se agarra à palavra do Senhor, para ter mais segurança se consultam horóscopos e cartomantes, se começa a ir para o fundo. Significa que a fé não é tão forte” (Angelus, 13 de agosto de 2017). De fato, muitos cristãos, abandonaram a palavra do Senhor, esmoreceram na fé, e assim deixaram de crer nos ensinamentos divinos, passando a se apegar a outras formas de viver a esperança de um futuro melhor.

Assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, ‘o homem entrega-se total e livremente a Deus’. E por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus” (CIgC 1814). De outro modo, ter fé, é crer em Deus, abandonar-se em suas mãos, entregar-se inteira e livremente à sua vontade, sem medo do que virá, pois sabe que o Senhor está ao seu lado e não há nada o que temer. Quem tenta saber, adivinhar ou interferir no futuro, demonstra não confiar, não ter fé no Senhor e em sua palavra, pois busca antecipar-se a tudo o que irá acontecer na expectativa de evitar o mal e alcançar o bem de forma a evitar o sofrimento.

No tocante às simpatias, superstições e promessas, a doutrina da Igreja Católica nos ensina: “A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso de religião, é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe” (CIgC 2110-2111), pois é atribuir uma força mágica a certas orações, ritos ou gestos, de modo a crer que algo bom se alcança pela força da repetição, e não pela mudança interior.

Queridos irmãos e irmãs. Não pensemos que simpatias e superstições serão capazes de nos tornar mais felizes, pois de nada adianta, esforçar-se por cumprir gestos e ritos externos, se não transformarmos as intenções do próprio coração. De igual modo, fazer promessas também é sinal de não crer verdadeiramente no Senhor e na sua bondade, pois na promessa tentamos barganhar, isto é, negociamos com Deus. Assim, porque faço algo, Deus tem que me dar aquilo que desejo em troca. Fazer promessa é como dizer: “Deus tem a obrigação de retribuir a mim, aquilo que eu vou fazer por Ele”, é dizer a Deus o que ele tem que fazer, quando na verdade, nós é que deveríamos fazer o que Deus nos diz.

Que tal, se neste novo ano, firmarmos o propósito de buscarmos crescer na fé, na relação com a palavra de Deus, no seguimento sincero e verdadeiro da Igreja Católica, a fim de termos uma fé sólida, capaz de crer e confiar inteiramente no Senhor. Com certeza, perceberíamos que a fé por si só nos basta, e não nos é necessário nem simpatias, superstições, promessas, adivinhações, horóscopos, nem nada. Como afirma Santa Teresa d’Ávila: “Quem tem Deus, nada lhe falta, porque só Deus basta”. Porém, quem não o tem, busca de tudo um pouco para tentar melhorar a vida.

Amar a Deus, é crer em n’Ele, esperar n'Ele e amá-Lo sobre todas as coisas (CIgC 2133-2134). Faça essa experiência e descobrirás que o amor a Deus é tudo o que precisas em sua vida para viver bem e ser feliz. Um abençoado 2018 no amor do Senhor.

Pe. Neri Dione Squisati - Pároco


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